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domingo, 5 de setembro de 2010

Música: Arcade Fire - The Suburbs




















Em um álbum cheio de momentos em que a esperança se transforma em espanto, os fantasmas se fazem mais presentes na fascinante "Suburban War", faixa já no final do incrivelmente intenso terceiro álbum da carreira do Arcade Fire. Com um solene riff de guitarra, Win Butler (vocal/baixo/letras) canta sobre um homem se lembrando de um velho amigo. No passado, os dois deixaram seus cabelos crescer juntos e juraram fugir, pulando cercas e atravessando calçadas, para um lugar onde poderiam lutar em nome do que era puro. Os anos passam, e agora eles se encontram em guerras diferentes. O velho amigo corta seu cabelo e, em seguida, desaparece. Uma batida marcial dá o ritmo. A voz de Butler se estremece enquanto canta sobre o homem que espia a janela de cada carro que passa procurando pelo rosto de seu velho amigo, condenado a buscar uma conexão perdida.

Se o álbum de estréia do Arcade Fire, Funeral, encontrou a sua força celebrando o conforto indescritível de viver em comunidade (daí quatro músicas com a palavra "Neighborhood" no título), e o crítico Neon Bible, de 2007, levanta-se em oposição ao brilho moribundo da instituição igreja, do Estado e das celebridades, então o mais pesado e mais denso The Suburbs fala em nome da crença de que na cultura moderna está faltando coração - e desistir da busca é enviar a alma para o esquecimento. Ou, na forma "suburbanda" de falar, para o "Sprawl", onde tudo está conectado, mas nada nunca se toca.

A faixa-título enganadoramente descontraída abre as portas do álbum com um violão e um piano de fundo, enquanto Butler (seu uivo soa assombrado pelas próprias dúvidas que o homem uma vez tivera enquanto jovem) luta contra o auto-questionamento de "Às vezes eu não posso acreditar, eu estou movendo para além do sentimento" e a posição suspeita do "mostre-me" das crianças que querem parecer tão duronas. Outro trecho desta mesma faixa a se refletir é: "Então você me entende? Porque eu quero uma filha enquanto ainda sou jovem. Quero segurar a mão dela e mostrá-la um pouco de beleza antes que o dano esteja feito."

Em "Ready to Start", Butler se diz pronto para começar todo o jogo da mídia que envolve o cenário musical atualmente. Ele afirma que "preferiria estar errado a viver nas sombras de sua música", fazendo uma referência às bandas que pagam compositores para cuspir sucessos musicais vazios, mas que seguem uma fórmula. As coisas voltam ao ritmo normal na terceira faixa, "Modern Man", um passeio suave pelo folk-rock (não só em termos de melodia, mas também liricamente falando) com um partes de teclado muito bem executadas que evoluem gradualmente em direção à majestosa faixa seguinte "Rococo", onde crianças modernas construem as coisas apenas para ter o prazer de destruí-las e o mundo se desintegra em um solo de guitarra bem diferente.

Este é um Arcade Fire mais intenso, mas ainda é a mesma banda 100% focada em produzir música boa. Palavras que servem como base para uma faixa se tornam meros sussurros em outras. "Jumping Jack Flash" ecoa nas guitarras de "City With No Children"; características punk/folk dividem espaço em "Month Of May" e "Wasted Hours". A voz macia de Butler em "Sprawl I (Flatland)" é substituída pelo lamento de sua esposa, Régine Chassagne (vocal/instrumental), em "Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)". Não há espaço para erros no álbum.

Eles julgaram o momento deles perfeitamente. Um álbum que dá à banda divulgação em massa (lançado em 02/08, chegou ao número 1 nas paradas britânicas em 08/08 e nos EUA em 21/08) com um ponto de vista crítico de quem sabe colocar letras interessantes em melodias super agradáveis. Este é o álbum que leva o grupo ao posto que eles merecem de melhor banda do mundo no momento.

Para fãs de: Broken Social Scene, Sigur Rós, The Shins

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Música: Mute Math - Mute Math




















Apesar de ser errado julgar um livro pela sua capa, convenhamos que há capas de álbums que são tão excêntricas que te levam a dizer "ah, não pode ter nada de bom nisso". Bom, eu aprendi a minha lição definitivamente com este álbum. Estava eu no it-leaked a procurar por algo novo quando me deparei com essa capa. Fiquei muito intrigado com a imagem de luzes substituindo o rosto dos integrantes e resolvi fazer o download sem nem procurar mais informações sobre o som dos caras. Sorte a minha!

Do começo ao fim, as canções maravilhosas do Mute Math capricham nos detalhes. Desde a bateria brilhantemente tocada por Darren King na abertura instrumental "Collapse" até os teclados do vocalista Paul Meany em "Chaos"; de "Typical", primeiro single do álbum que incorpora toques de bateria que lembram o U2 a "Picture", com seu som extraordinário e vibrante. Cada faixa contém algo diferente.

Com guitarras peculiares, teclado/guitarras e um Atari(!) personalizado, cada música é excessivamente trabalhada. Embora seu ambiente comum seja mais limitado ao seu som instrumental, as letras do Mute Math não o afetam. O vocal de Paul Meany, semelhante à forma do Sting (The Police) cantar, executa cada canção suave e brilhantemente. Além disso, há também a qualidade indiscutível de suas letras que soam como se flutuassem pela sinfonia poética de cada canção.

Embora o disco desacelerar com o passar das faixas, isso nunca se torna um problema. Com uma sequência de faixas bem detalhada e o uso do Atari na última faixa, "Reset" (presente também no EP de estréia da banda, e somente na versão limitada deste álbum), o quarteto exibe alguns dos seus talentos na produção na segunda metade do disco. "Stare at the Sun", "Break the Same" e "Picture" merecem destaque nesta parte do álbum. Ao ouvi-las, não seria surpresa se você desejasse que o Mute Math levasse seu som ainda mais para o lado experimental de sua música.

O Mute Math se encaixa naquela categoria do indie que você nunca se cansa de ouvir. Com um vocal excelente, um baterista que encarna John Bonham e a fama de uma das melhores bandas ao vivo ainda na ativa, seu álbum de estréia é, sem dúvida, uma obra de arte.

Para fãs de: Guster, Snow Patrol, The Shins