segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Música: Guster - Ganging Up On The Sun




















O Guster silenciosamente se tornou uma banda pop muito boa - mas não só isso. Durante a década passada, eles foram lentamente aprimorando suas músicas, construindo a sua base de fãs, e fazendo álbums que são pouco atraentes para a mídia, mas cada vez mais interessantes. Ganging Up On The Sun é sem dúvida o melhor deles. É certamente o seu disco com um som mais rico: as guitarras estão perfeitamente encaixadas nas faixas, o vocal relaxante e convidativo, as canções cheias de teclados de fundo, banjos, e todos os tipos de decoração sonora que você puder imaginar. O grupo, que produziu grande parte do álbum eles mesmos, tomaram todos os cuidados com o som do disco. Cada faixa foi bastante trabalhada, mas ainda assim mantém aquela sensação suave das produções baratas. Isso não é fácil de se fazer, mas eles se mandaram muito bem!

Naturalmente, uma melodia agradável só te faz parar para ouvir por uns 10 segundos. Para te fazer prestar atenção no resto da música, o álbum tem que ter algumas canções memoráveis e o Ganging Up On The Sun tem uma porrada dessas. Há aquelas clássicas que dá vontade de cantar junto como "The Captain" e baladas melancólicas como "Dear Valentine", juntamente com melodias hard-rock como "The Beginning Of The End" e "The New Underground". O álbum ainda abre espaço para uma épica extensão de "Ruby Falls", que pode ensinar ao Coldplay uma coisa ou outra sobre a dinâmica drama/tensão. Há uma gravidade e profundidade neste disco que surpreendem até mesmo os seus fãs mais devotos. Com certeza em sua melhor forma, o que se evidencia em praticamente quase todo o álbum, o Guster tem as mesmas qualidades que as melhores bandas do indie norte-americano: o compromisso total emocionalmente e musicalmente falando. Uma canção como "C'mon" não é movida por considerações à mídia ou marketing local; ela vem do coração e vai te chocar. Algumas faixas do álbum ("Satellite", "Hang On", "Manifest Destiny") podem até te emocionar. Dê uma chance à esses caras agora. Pesquise um pouco sobre a reputação deles e você perceberá que eles realmente merecem o reconhecimento que tem. Ganging Up On The Sun é o trabalho de uma banda que importa.

Para fãs de: The Format, Dave Matthews Band, The Decemberists

domingo, 5 de setembro de 2010

Música: Arcade Fire - The Suburbs




















Em um álbum cheio de momentos em que a esperança se transforma em espanto, os fantasmas se fazem mais presentes na fascinante "Suburban War", faixa já no final do incrivelmente intenso terceiro álbum da carreira do Arcade Fire. Com um solene riff de guitarra, Win Butler (vocal/baixo/letras) canta sobre um homem se lembrando de um velho amigo. No passado, os dois deixaram seus cabelos crescer juntos e juraram fugir, pulando cercas e atravessando calçadas, para um lugar onde poderiam lutar em nome do que era puro. Os anos passam, e agora eles se encontram em guerras diferentes. O velho amigo corta seu cabelo e, em seguida, desaparece. Uma batida marcial dá o ritmo. A voz de Butler se estremece enquanto canta sobre o homem que espia a janela de cada carro que passa procurando pelo rosto de seu velho amigo, condenado a buscar uma conexão perdida.

Se o álbum de estréia do Arcade Fire, Funeral, encontrou a sua força celebrando o conforto indescritível de viver em comunidade (daí quatro músicas com a palavra "Neighborhood" no título), e o crítico Neon Bible, de 2007, levanta-se em oposição ao brilho moribundo da instituição igreja, do Estado e das celebridades, então o mais pesado e mais denso The Suburbs fala em nome da crença de que na cultura moderna está faltando coração - e desistir da busca é enviar a alma para o esquecimento. Ou, na forma "suburbanda" de falar, para o "Sprawl", onde tudo está conectado, mas nada nunca se toca.

A faixa-título enganadoramente descontraída abre as portas do álbum com um violão e um piano de fundo, enquanto Butler (seu uivo soa assombrado pelas próprias dúvidas que o homem uma vez tivera enquanto jovem) luta contra o auto-questionamento de "Às vezes eu não posso acreditar, eu estou movendo para além do sentimento" e a posição suspeita do "mostre-me" das crianças que querem parecer tão duronas. Outro trecho desta mesma faixa a se refletir é: "Então você me entende? Porque eu quero uma filha enquanto ainda sou jovem. Quero segurar a mão dela e mostrá-la um pouco de beleza antes que o dano esteja feito."

Em "Ready to Start", Butler se diz pronto para começar todo o jogo da mídia que envolve o cenário musical atualmente. Ele afirma que "preferiria estar errado a viver nas sombras de sua música", fazendo uma referência às bandas que pagam compositores para cuspir sucessos musicais vazios, mas que seguem uma fórmula. As coisas voltam ao ritmo normal na terceira faixa, "Modern Man", um passeio suave pelo folk-rock (não só em termos de melodia, mas também liricamente falando) com um partes de teclado muito bem executadas que evoluem gradualmente em direção à majestosa faixa seguinte "Rococo", onde crianças modernas construem as coisas apenas para ter o prazer de destruí-las e o mundo se desintegra em um solo de guitarra bem diferente.

Este é um Arcade Fire mais intenso, mas ainda é a mesma banda 100% focada em produzir música boa. Palavras que servem como base para uma faixa se tornam meros sussurros em outras. "Jumping Jack Flash" ecoa nas guitarras de "City With No Children"; características punk/folk dividem espaço em "Month Of May" e "Wasted Hours". A voz macia de Butler em "Sprawl I (Flatland)" é substituída pelo lamento de sua esposa, Régine Chassagne (vocal/instrumental), em "Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)". Não há espaço para erros no álbum.

Eles julgaram o momento deles perfeitamente. Um álbum que dá à banda divulgação em massa (lançado em 02/08, chegou ao número 1 nas paradas britânicas em 08/08 e nos EUA em 21/08) com um ponto de vista crítico de quem sabe colocar letras interessantes em melodias super agradáveis. Este é o álbum que leva o grupo ao posto que eles merecem de melhor banda do mundo no momento.

Para fãs de: Broken Social Scene, Sigur Rós, The Shins

sábado, 28 de agosto de 2010

Filme: Remember Me

"Gandhi disse que não importa o que você faça em sua vida, será insignificante. E que é muito importante que você faça."




Eu disse pra minha mãe que era mais triste do que "O caçador de pipas" e "O menino do pijama listrado" juntos, ela disse que podia até ser, mas não mais triste do que "A corrente do bem". Daí eu já não sei, porque eu nunca vi.
O filme começa e você já se assusta, uma garota de onze anos vê a mãe morrer à tiro em um metrô por dois assaltantes, depois disso ela passa a morar com o pai que é policial.
Robert Pattinson (Crepúsculo) e Emilie de Ravin (Lost) juntos em um filme romântico e dramático, incrível.
Eu sou sensível, chorei do início ao fim do filme.
Tyler (o personagem do Robert) perde um irmão por suicídio, o irmão que ele passava todas as manhãs juntas. Ele também não se entende com o pai, que vive enfiado em negócios e nunca quer saber sobre a vida da filha mais nova (Caroline - Ruby Jerins) que é artista e a queridinha do irmão. Divide um apartamento com um amigo e, como ele mesmo diz "vivem como porcos". Tem o hábito de ir todas as manhãs à um café, escrever em um diário como se contasse seus segredos para o irmão falecido. Me pareceu que ele é ansioso (claro, com tantos problemas), em uma cena mostra as pernas dele embaixo da mesa, elas não param de bater. Tyler frequenta uma faculdade sem ser matriculado, e não liga muito pra festas ou mulheres, só pro cigarro, livros, o diário e a cerveja.
Em uma noite qualquer ele sai com o amigo do apartamento, e acaba se metendo em uma briga na rua onde é preso e apanha de um policial. O amigo, que diferente de Tyler fica preocupado e bravo, liga para Charles (Pierce Brosnan e pai de Tyler) e pede que ele pague a fiança. Os dois são liberados.
Aidan descobre que o policial que prendeu Tyler tem uma filha, e o convence de ir falar com ela. Os dois saem para jantar, e começam a se ver até que a garota passa uma noite na casa dele e arruma problemas com o pai, tendo que sair de casa e ficar por um tempo no apartamento apertado e porco. Eles se apaixonam, passam o aniversário de Tyler juntos.
Caroline tem uma exposição com seus desenhos, e como Tyler e a mãe previam, o pai deles não vai. Tyler, revoltado, arruma problemas com ele no meio de uma reunião, e volta pra casa do mesmo jeito que chegou no prédio da empresa do pai, de bicicleta. Ally está lá, tentando se refrescar, afinal o apartamento é pequeno demais e apertado demais. Ela acalma Tyler e.. é.
O Robert ficou muito melhor barbudo, com cara de sujo e fumante do que como vampiro pintado de branco e brilhando em alguns casos. E a Emilie, eu achei que ela tinha engordado pra fazer o filme, mas continua magra, foi só o corte de cabelo.
O pai de Ally, bravo com ela por ter saido de casa consegue descobrir aonde a filha se esconde, e vai até o apartamento e mexe nas coisas de Tyler e quase o mata e pergunta a ele quando vai contar a Ally sobre o motivo de ter ido falar com ela.
Então, Ally chega e ele conta pra ela a verdade, ela sai do apartamento dele e Tyler passa dias sem ela, até a irmã sofrer um trauma por corte de cabelo violento e bullying, e Ally ir visita-la. Os dois voltam e vão morar juntos, Charles passa a dar mais atenção à filha mais nova e a leva pra escola e Tyler vai pra empresa dele, em um prédio, no dia onze de setembro de 2001 para uma reunião. E aí o filme acaba.








Não era a minha intenção fazer um post desse tamanho, mas caso contrário ele sairia uma bosta.
O filme é simplesmente lindo, tem cenas divertidas e cenas fortes e eu continuei chorando depois que ele acabou. Recomendo muito.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Música: Sigur Rós - Ágætis Byrjun




















O folclore islandês fala do "Povo Escondido" que vive em rochedos e montanhas de lava do país. Mesmo nesta era moderna de telefones celulares e helicópteros, os islandeses continuam a acreditar que as pessoas ainda estão por aí escondidas em algum lugar. Os trabalhadores da construção civil do país chegam até a desviar estradas para não passarem em supostos pontos onde o povo escondido habita. Como pode uma pessoa moderna encontrar fé em fantasias desse tipo? Uma pouco de mitologia nórdica e uma paisagem deslumbrante explica isso. A música do Sigur Rós com certeza também perpetua tal fato, no mínimo, peculiar.

O álbum começa como se estivesse submerso. Ao fundo você ouve um sonar ecoando e ditando o ritmo da canção; de uma cativante e tão aconchegante que soa como um oceano dentro de sua mente. Um órgão então entra em cena. A bateria é tão suave que praticamente passa despercebida durante a evolução da música. A arpa abre caminho para a guitarra caótica, que espalha seus ruídos por todos os lados. Imerso em tal estado de hipnose, você se deixa levar pela canção como se estivesse flutuando em mar aberto a caminho do paraíso. A música termina com um batimento cardíaco acelerado que palpita pelo seu peito. Sinta sua última respiração. Você morreu.

A faixa seguinte sai da seção de cordas de "Svefn-G-Englar" para a maravilhosa "Starálfur". Um solo de piano abre a canção, até o vocal e o violino entrarem em cena. A partir do segundo verso escuta-se partes de bateria com um tom mórbido, até que vários instrumentos de corda florescem para um solo clássico. A canção tem quebras sutis com trechos acústicos onde só se ouve a voz do cantor como se em uma caixa de som estourada e um violão acústico mantendo o compasso. Desta forma, o álbum continua a te levar cada vez mais pro alto (ou pra baixo, dependendo da sua perspectiva ao apreciá-lo).

"Ný Batterí" começa com uma sequência de cornetas tocadas aleatoriamente. Elas vão lentamente se distanciando como em redemoinhos onde o zumbido baixo massagea sua mente. Quando você menos percebe, a música entra em erupção junto com a bateria (com um som particularmente peculiar). Com um toque de bateria típico do jazz bebop e vários pianos melhoram o astral em "Hjartað Hamast". "Olsen Olsen" é simplesmente a parte mais delicada do álbum. Simples e objetiva, ela chega a tocar a sua alma.

Taxar esta música de "post-rock" seria um insulto; o Sigur Rós é o "pré" seja lá o que vier neste século. Piano, flautas, arpas, cornetas, trompetes, e aquela voz surpreendentemente relaxante que faz você se sentir voando dentre as nuvens (seja lá onde quer que você realmente esteja) são o que caracterizam este grupo. Esses caras inventaram uma linguagem lírica (Hopelandish) que você pode estar tanto choramingando pelos cantos ou mesmo esbravejando sua raiva e insatisfação que, para quem te ouve, sem dúvida isso irá soar como música.

O Sigur Rós faz esta afirmação em seu website: "Nós simplesmente vamos mudar a música para sempre, e a forma como as pessoas pensam sobre música. O feto anjo alienígena impresso na capa do álbum serve como o logotipo perfeito. O Sigur Rós sem muito esforço consegue fazer música que é potente, glacial e tranquilizante. Eles são as pessoas escondidas. Crianças serão concebidas, pulsos serão cortados, cicatrizes serão curadas e lágrimas escorrerão por este grupo. Eles são, sem a menor sombra de dúvida, a primeira banda realmente importante do século 21.

Para fãs de: Radiohead, Amiina, Arcade Fire

Obs.: "Sigur Rós" em português significa "Rosa Vitória" e "Ágætis Byrjun" significa "Um bom começo".

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Música: Mute Math - Mute Math




















Apesar de ser errado julgar um livro pela sua capa, convenhamos que há capas de álbums que são tão excêntricas que te levam a dizer "ah, não pode ter nada de bom nisso". Bom, eu aprendi a minha lição definitivamente com este álbum. Estava eu no it-leaked a procurar por algo novo quando me deparei com essa capa. Fiquei muito intrigado com a imagem de luzes substituindo o rosto dos integrantes e resolvi fazer o download sem nem procurar mais informações sobre o som dos caras. Sorte a minha!

Do começo ao fim, as canções maravilhosas do Mute Math capricham nos detalhes. Desde a bateria brilhantemente tocada por Darren King na abertura instrumental "Collapse" até os teclados do vocalista Paul Meany em "Chaos"; de "Typical", primeiro single do álbum que incorpora toques de bateria que lembram o U2 a "Picture", com seu som extraordinário e vibrante. Cada faixa contém algo diferente.

Com guitarras peculiares, teclado/guitarras e um Atari(!) personalizado, cada música é excessivamente trabalhada. Embora seu ambiente comum seja mais limitado ao seu som instrumental, as letras do Mute Math não o afetam. O vocal de Paul Meany, semelhante à forma do Sting (The Police) cantar, executa cada canção suave e brilhantemente. Além disso, há também a qualidade indiscutível de suas letras que soam como se flutuassem pela sinfonia poética de cada canção.

Embora o disco desacelerar com o passar das faixas, isso nunca se torna um problema. Com uma sequência de faixas bem detalhada e o uso do Atari na última faixa, "Reset" (presente também no EP de estréia da banda, e somente na versão limitada deste álbum), o quarteto exibe alguns dos seus talentos na produção na segunda metade do disco. "Stare at the Sun", "Break the Same" e "Picture" merecem destaque nesta parte do álbum. Ao ouvi-las, não seria surpresa se você desejasse que o Mute Math levasse seu som ainda mais para o lado experimental de sua música.

O Mute Math se encaixa naquela categoria do indie que você nunca se cansa de ouvir. Com um vocal excelente, um baterista que encarna John Bonham e a fama de uma das melhores bandas ao vivo ainda na ativa, seu álbum de estréia é, sem dúvida, uma obra de arte.

Para fãs de: Guster, Snow Patrol, The Shins

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Música: GOB - Muertos Vivos




















Após o lançamento do "Foot In Mouth Disease" em 2003, o GOB voltou à clandestinidade. Com o fim do contrato com a sua gravadora, a banda simplesmente sumiu do radar de todo mundo por um tempo. Ninguém sabia onde eles estavam e porque haviam desaparecido, mas depois, no início de 2007, a banda ressurgiu. De início eles só anunciaram que tinham acabado de concluir um novo álbum. Daí as notícias saiam aos poucos: nomes das músicas, data de lançamento, até mesmo trechos de algumas canções.

Muertos Vivos, quinto álbum de estúdio da banda, ainda apresenta um sentimento mais pesado; porém, o álbum com certeza não é o que eu esperava ouvir dos caras. É melhor! O disco é mais pesado, muito mais forte e sombrio do que qualquer coisa que a banda fez nos seus quatro álbums anteriores. Em vez daquela atitude punk rock de viver livremente e fazer o que você quiser que o GOB tinha anteriormente, o álbum é mais cabeça, centrado em questões mais profundas da vida moderna. "Nós somos os mesmos, só que com medo, qual é a diferença quando estamos todos morrendo?", (trecho de "We're All Dying"); "Nós andamos em linha reta, tomamos este caminho direto para o inferno; queremos uma solução rápida, nós nos colocamos dentro de um comprimido; desgraça, salvação, não consigo ver a diferença mesmo", ("Prescription"); e "Eu saí para encontrar um funeral, ninguém morreu, eu fiquei esperando", ("Underground") são apenas algumas amostras das letras; ligeiramente diferentes do "Eu quero pular em um lago, o sol brilhando na praia no verão", ("Soda", do primeiro álbum da banda "Too Late... No Friends") você não acha?

As letras não são a única coisa transmitindo aquela sensação de mau pressentimento. As guitarras estão mais pesadas e o vocal de Tom Thacker (vocalista e compositor de 11 das 12 faixas do álbum) está mais profundo em todas as músicas. Porém, apesar das reflexões e da falta de esperaça presentes nas canções, o Muertos Vivos ainda é realmente um álbum de pop-punk sólido. Ele começa com a altamente enérgica "We're All Dying", uma canção de rebeldia construída com uma percussão forte e riffs de guitarra marcantes. "War Is A Cemetery" segue de onde "We're All Dying" terminou, só que com um refrão que você não consegue evitar querer cantar junto com os caras.

No entanto, a coisa mais estranha são as músicas que caracterizam a mudança mais evidente na estrutura da banda: as três músicas de quatro minutos e meio agrupadas a meio do álbum. "Still Feel Nothing", "Banshee Song" e "18" são muito mais lentas do que qualquer coisa que o GOB havia feito no passado, e parecem que se encaixariam perfeitamente em qualquer álbum do Sum 41 - é realmente uma muito engraçado. Essas são quase tão diferentes quanto "Face The Ashes", que é uma canção totalmente digitalizada com vocais que parecem que foram submetidos a alguma distorção muito pesada que funciona muito bem.

De modo geral, o Muertos Vivos é um ótimo álbum do GOB. Realmente uma guinada na música da banda, uma vez que é mais profundo e ligeiramente mais lento do que qualquer coisa que a banda já havia lançado no passado; mas ainda assim é um disco que eu ouço bastante e que não só instrumentalmente diz alguma coisa. Os fãs do Sum 41 provavelmente irão gostar dele também.

Para fãs de: Sum 41, Fenix TX, I Hate Kate

sábado, 7 de agosto de 2010

Filme: Eclipse

Pois é, eu sei, eu sei. "vampiros que brilham no escuro", "modinha", "romance paia"... e bla bla bla. Mas sim, eu vi Eclipse no cinema e se pudesse teria visto legendado. Como todos os outros da série a dublagem ficou TERRÍVEL, mas eu confesso que tenho dificuldade de acompanhar legenda e cena ao mesmo tempo '-' (triste)
O filme foi até interessante, gostei das lutas e das cenas de romance entre a Bella e o Edward, mas os livros são muito melhores. Nesse caso ler é muito mais prazeroso do que assistir, a produção do filme deixou um pouco a desejar. Mas eu gostei da ação do filme e das partes das quais davam para rir, das provocações do Jacob com o Edward e da Bella e seu jeito egoísta de querer dois ao mesmo tempo.
Tenho lá meus motivos pra achar o filme um pouco triste, mas recomendo para quem gosta de rir dos vampiros brilhando no escuro ou para quem gosta de um pouco de ação.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Música: Set Your Goals - This Will Be The Death Of Us




















Em um ano (como se fosse piada) referido como "o ressurgimento do pop-punk" por alguns "experts" no assunto, não há muitas bandas dentro do gênero que vão lançar um álbum tão bom quanto o "This Will Be The Death Of Us", do Set Your Goals. Com todas as letras escritas pelo vocalista Jordan Brown, o álbum que tem 12 trilhas é como a Liga da Justiça - as faixas são impressionantes individualmente, mas simplesmetne imparáveis quando ouvidas juntas.

O Set Your Goals exibe uma explosão que muitas bandas não conseguem igualar. A faixa-título dá as caras com uma guitarra enérgica, enquanto os vocalistas Matt Wilson e Jordan Brown harmonizam muito bem por toda ela. Vinnie Caruana (vocalista do I Am The Avalanche) acrescenta um verso poderoso para fechar a trilha. Canções como "Look Closer" e "Like You To Me" compactam uma poderosa melodia com um tom agradável, enquanto "Summer Jam" é uma daquelas que você quer cantar junto, registrando memórias da turnê inicial da banda.

O coração do álbum está nas próximas músicas. "The Fallen" mantém a alma do também excelente primeiro álbum demo da banda (Mutiny!) de 2006. As trocas do vocal por parte de Wilson e Brown são muito bem executadas, enquanto o baterista Michael Ambrose define o ritmo. "The Few That Remain" apresenta ótimas quebras de ritmo e uma participação de matar de Hayley Williams (Paramore), garantindo assim a esta faixa o título de favorita a muitos fãs. John Gula (vocalista da banda metal/punk Turmoil) empresta sua voz a brutal em "Gaia Bleeds (Make Way For Man)", que é a música mais pesado que o SYG já compôs.

Além de arrebentar com sua musicalidade, o Set Your Goals também assume uma postura com suas letras, abordando problemas do dia-a-dia e questionando a autoridade. "Flawed Methods of Persecution & Punishment" manda uma mensagem com letras socialmente conscientes embrulhadas em um som extremamente cativante. "Our Ethos: A Legacy To Pass On" tem aquele estilo skate punk dos anos 90 (graças aos guitarristas Audelio Flores e Daniel Coddaire), criando uma trilha barulhenta que apresenta Chad Gilbert gritando do fundo de seus pulmões. A canção fecha o álbum com a principal mensagem de positividade do Set Your Goals.

This Will Be The Death Of Us é o retorno do pop-punk que você conhece e adora. Nunca tendo um momento para relaxar, o Set Your Goals melhorou em todos os sentidos em relação à sua estréia em 2006, com o Mutiny!. Ele tem o toque que tem faltado ao gênero há alguns anos, enquanto a banda se torna espetacular ao escrever letras atrativas sem que soem "radiantes" (no sentido GAY da palavra) ou superproduzidas. Tenha certeza: este é um dos melhores álbums recentemente lançados no estilo que levou jovens à loucura durante os anos de domínio de bandas como Green Day, Blink-182, The Offspring, etc.

Para fãs de: New Found Glory, A Day To Remember, Valencia

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Filme: Dança com Lobos

Hoje a turma da escola se reuniu na casa de uma amiga para ver o filme "Dança com Lobos", na verdade eu não fui mas já havia visto o filme no ano passado umas duas vezes. O filme conta sobre um soldado que, após a Guerra Civil das antigas Treze Colônias saiu de sua casa para explorar o "velho oeste". As Treze Colônias eram no leste do país tendo o oeste habitado por índios.
Esse soldado começa a morar sozinho no meio do 'nada' e conhece os Sioux que são nativos de lá, se tornando amigo deles e conhecendo seus costumes, até aprende a falar a sua língua e vice versa. Ele se apaixona por uma 'branca' que foi adotada pelos índios, já que seus pais foram mortos quando ela era pequena.
O soldado começa a viver com aqueles índios, participa até de guerras ao lado deles.
Eu particularmente adorei o filme, apesar de ter uma grande duração. Ele ajuda a entender melhor a história dos Estados Unidos (nem tanto, mas ajuda) e foi indicado pela nossa professora de história.

Música: Brand New - Deja Entendu




















Normalmente eu começaria uma resenha com algo que iria definir o resto dela. Eu poderia começar com algo que é engraçado ou inspirador. Talvez eu começaria com algo que faria você comprar ou não comprar este álbum. Mas sinto que começar esta resenha com qualquer coisa neste estilo seria errado e injusto com o Brand New. Este álbum me mostra tudo o que está direito com a indústria musical hoje em dia.

Deja Entendu é "já ouvi" em francês. Eu acho isso engraçado, porque sempre que eu ouço o Deja Entendu, penso em como eu nunca ouvi nada como ele antes e provavelmente nunca mais irei; me espanta como um álbum com tamanhas diversidades líricas pode soar tão bem como um todo.

Se você estiver pensando em baixar este álbum na internet, a resposta é simples: baixe*! A canção "Sic Transit Glora... Glory Fades" começa com um dos melhos riffs de baixo que eu já ouvi. A canção começa com o vocalista Jesse Lacey cantando em um tom abafado, praticamente um sussurro. A letra é simplesmente brilhante, e relata a primeira experiência sexual de um rapaz. Então no refrão, com uma guitarra pesada, a voz macia de Lacey se transforma em um uivo, e cantando do fundo do coração como ele então berra "Die young and save yourself!" (Morra jovem e salve-se!). Depois do refrão, como em um estalar de dedos, a música volta ao seu sussurro do verso.

A próxima música, "I Will Play My Game Beneath the Spin Light", vai em uma direção completamente diferente. Principalmente tocada num violão, a canção ainda é rápida e cativante. A voz de Lacey realmente brilha nessa faixa, assim como a sua versatilidade lírica. Ele faz uma reflexão sobre o cenário musical e sobre si mesmo com versos como "Eu sou pago para fazer as garotas pirarem enquanto eu canto". A faixa "Okay I Believe You, But My Tommy Gun Don't" começa semelhante à "I Will Play My Game Beneath the Spin Light", exceto que com uma guitarra elétrica no lugar do violão. Quando chega no refrão, o som é duplicado, e torna-se uma canção de puro rock. Particularmente, esta é a minha faixa favorita do álbum. Principalmente pela parte da bateria. "The Quiet Things That No One Ever Knows" começa com um riff de guitarra simples, que então, é jogado sobre acordes pesados, que levam ao verso. Os vocais do refrão se alternam entre Lacey e ele mesmo, cada linha termina com uma certa mordida que parece pouco, mas acrescenta muito à música. "Me vs Maradona vs Elvis" começa com uma guitarra num tom de esperança e a voz de Lacey se encaixa tão bem nesta canção que chega a soar um pouco feliz, ainda que tenha um tom triste que ele carrega por toda ela.

"Guernica" começa com uma introdução épica com a harmonia guitarra/bateria que flui até à parte "Desde que eu era jovem; a tua palavra é a palavra que sempre ganha." A voz de Lacey soa ansiosa pelo verso, e quando ele chega, o Brand New traz o seu som característico em um refrão poderoso. O segundo refrão termina com um grito apaixonado que praticamente sumiu desde a faixa de abertura.

Com o Deja Entendu, o Brand New fez algo especial, pois eles fizeram um álbum que não pode ser colocado para baixo. Um álbum como este é difícil de encontrar, e eles só aparecem por aí bem de vez em quando (se tivermos sorte). Quando um álbum como este é lançado, seria uma injustiça não a ouvi-lo repetidamente.

Para fãs de: Manchester Orchestra, Jack's Mannequin, Taking Back Sunday

*: Bem que eu gostaria de dizer "compre", mas infelizmente só a versão importada está disponível para compra no Brasil, e obviamente, o preço é bem puxado.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Música: Say Anything - Say Anything




















O Say Anything surgiu aos olhos do público com o ...Is A Real Boy, um disco muito experimental, com letras estranhas, algumas vezes totalmente altruístas que também eram muito legais e interessantes pela ligação com o punk e a improvisação musical. Sua continuação, o CD duplo In Defense Of The Genre, escrito por um recém-sóbrio Max Bemis (que enfrentou sérios problemas com as drogas durante a turnê do disco anterior), demonstrava muito mais letras "direto ao ponto" e contudo, outro álbum incrivelmente bem construído que, enquanto nem toda música era um hit, mas olhando para ele como um todo, foi praticamente uma obra-prima. Foi um olhar para dentro da cabeça do homem tentando entender como ele passou por um momento muito sombrio de sua vida, lidando com sua saúde mental, um relacionamento abusivo, e sua recuperação.

E agora, temos o terceiro álbum, o auto-intitulado Say Anything, e esse é o mais fácil de se ouvir, e ainda mais "ao ponto". Não apresentando nenhuma palavra de profanação de qualquer natureza (primeira vez para esta banda que normalmente enche suas músicas com blasfêmias e palavras de imprecação em geral) e com um tom muito mais animado, este CD parece uma versão totalmente nova da banda. Max Bemis se casou no ano passado e seu amor por sua mulher domina o CD (tanto quanto sua reafirmada fé em um poder superior, para o bem ou para o mal), resultando em muito menos amargura nas músicas.

Mas ainda e o Say Anything, não há menor dúvida disso. As letras ainda estão extremamente detalhistas, engraçadas, desafiadores, profundas e praticamente qualquer elogio que eu possa lhes dar. A voz de Max está do mesmo jeito (melódica, arrastada) no que ele consegue fazer dessa banda uma das únicas desse estilo inovador e divertido.
  1. Fed To Death (5/5) - Uma das minhas músicas favoritas do CD. No momento que esta começar a tocar, os fãs de vão se sentir em casa. Me fez desejar que o CD ainda fosse ser chamado This Is Forever, o nome inicialmente previsto para ele. Com letras um pouco metafóricas e bem ao estilo do ...Is A Real Boy.
  2. Hate Everyone (5/5) - A introdução dessa música é uma orgia. Quando o álbum vazou eu esperei pra pegar uma versão com boa qualidade, mas nesse meio tempo eu via reviews de sites renomeados e as notas eram semrpe altas. Quando comecei a ouvir, fiquei bem ao estilo "wtf" até ela realmente começar. Sobre a música, a banda produz uma música bem ao estilo punk rock old-school que é muito cativante e bem divertida. Me lembra um pouco de I Fought The Law do The Clash.
  3. Do Better (5/5) - Essa é... diferente. Um som muito original. Como a maioria das músicas do CD, a letra é ótima! Bem "levanta astral". Um exemplo perfeito do Say Anything fazendo música como ninguém mais.
  4. Less Cute (4/5) - Outra canção que tem um ar otimista e é quase um jazz na hora dos versos, e o refrão é extremamente cativante. Bem engraçada também. Gosto muito dessa. Principalmente na hora do "Everytime I see your face I die inside", cantada de fundo no refrão final da música.
  5. Eloise (5/5) - A única música do CD que trata do fim da relação ruim com o In Defense Of The Genre, esta música praticamente fecha isso. Ótima música. Mais pessimista do que o resto, mas ainda assim se encaixa muito bem.
  6. Mara And Me (5/5) - Essa resume tudo! O puro e verdadeiro estilo Say Anything. Essa música tem várias partes completamente diferentes, cada uma do kr*lho. A letra desta música é uma das minhas favoritas do CD e a maneira na qual Max a transmite é perfeita. Principalmente na hora do "Wait a second. I can't write the same damn song over and over again". O parte do verso "Everything that you do keeps me running back to you" é a minha parte favorita do CD todo.
  7. Crush'd (4/5) - Pra mim esta música e sobre a mulher de Max, e poderia até ter ficado meio brega vindo de qualquer outro, mas o vocal e a entrega dele nela são com tanta sinceridade que isso realmente faz dela uma ótima música. A produção dela é altamente técnica também, e segundo o próprio site da banda, isso tem como objetivo "satirizar Justin Timberlake e Lil Wayne, e ao mesmo tempo, evocar um versão suada, judia do Coldplay". Haha, viu?!
  8. She Won't Follow You (3/5) - Outra música bem cativante, rápida e divertida. Um tanto quanto repetitiva no "Meet me in the backroom", mas no geral a música é boa.
  9. Cemetary (5/5) - A melodia em si dessa música já é excelente, mas a letra... FUCKIN PERFECT! A maneira com que as palavras se encaixam, o que ele quer transmitir, a maneira com a qual ele deixa bem claro o medo que não tem de morrer após estar com sua esposa para todo o sempre. Muito foda mesmo!
  10. Property (5/5) - Muito engraçada! Os versos são bem rápidos e a cheios de batidas picadas. O refrão é a parte mais engraçada. Retrata bem o sentimento de muitos quando começam um namoro. Adoro a parte que a parte cantada pára, e ele vem com os versinhos. Muito divertida mesmo!
  11. Death For My Birthday (4/5) - Um novo som do Say Anything. Num primeiro momento eu me perguntava o que eu estava ouvindo, mas torna-se mais e mais interessante no que ela vai evoluindo. A letra é bem interessante também. Muitos podem achar uma música emo, e até concordo em certo ponto. Só que a grande diferença é a letra. Pode parecer estranho, mas pra mim ele deixa bem claro os motivos de sua "revolta". Gosto muito do final também.
  12. Young, Dumb And Stung (3/5) - A mais fraca do álbum na minha opinião, mas o refrão e as letras são legais.
  13. Ahhh... Men (5/5) - No começo eu não era um grande fã desta música, mas uma vez eu parei pra ler/analisar a letra e basicamente tudo se encaixou. Pra mim a música relata o nosso lugar nesse vasto universo. A visão dele sobre Deus vendo toda essa loucura e sua própria visão sobre a fé e tudo isso. Com certeza é a música mais espiritual do álbum e muito interessante liricamente também. Felizmente, porém, ela é obscura e sutil; trata-se apenas de um homem a pensar sobre sua vida e por que estamos aqui. Musicalmente ela tem um tom mais acústico e cru do que o resto das músicas do CD, apesar de que no final ela fica um pouco mais complicada quando a batida muda e a bateria entra, e o Max começa a gritar várias coisas de fundo e o vocal fica no "Can I lie with you in your grave?". Sem dúvida é um grande final pro álbum.
No geral: Embora seja difícil neste momento decidir se alguma das músicas desse álbum terá a longevidade dos gostos de outras, tipo "I Want To Know Your Plans", "Alive With The Glory Of Love" ou "Admit It", este ainda assim é um excelente álbum que mostra uma banda e um vocalista/compositor maduros. Capazes de produzir tanto melodia quanto letras sensacionais. Um dos melhores álbuns que eu ouvi em um bom tempo muito e facilmente pário com outros CDs do Say Anything.

Para fãs de: Motion City Soundtrack, Brand New, The Academy Is...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Música: Billy Talent - Billy Talent III




















O Billy Talent sabe tudo sobre jogar durante muito tempo. Por anos, antes de aparecerem pela primeira vez no Reino Unido e ganharem reconhecimento, eles permaneceram ralando em seu país de origem (o Canadá) desenvolvimento de seu som, encontrando a sua identidade (que começou com o nome de Pezz), e lenta mas seguramente ganhando experiência. Mesmo quando eles se lançaram ao mundo com um álbum próprio em 2003 e com o apoio das grandes gravadoras, eles não foram um sucesso da noite para o dia. O sucesso de canções como "This Is How It Goes" e "Try Honesty", sem dúvida foi totalmente inesperado, mas mesmo naquele momento, com o entusiasmo visívelmente borbulhando, o Billy Talent se sentiu como um fenômeno underground. Foi só com o seu segundo álbum, de 2006, que o quarteto começou a receber o reconhecimento merecido no cenário pop-punk norte-americano. A esta altura, eles já haviam desenvolvido seus talentos líricos consideravelmente. O resultado foi o brilhante "Billy Talent II" (o melhor da banda até hoje), um enorme sucesso embalado com músicas de primeira qualidade.

Avançando para 2009, e o Billy Talent já é bem conhecido e respeitado aí fora. No entanto, está na hora de dar o próximo passo, e é exatamente isso o que eles fizeram. Mas como? Entrevistas recentes quase sugeriram um novo rumo, com a banda se referindo ao "Billy Talent III" como o álbum mais sombrio que eles fizeram até agora. Contudo, enquanto o disco pode soar mais denso como um todo, em sua excência ele é o clássico de Billy Talent - apenas feito de uma maneira mais forte e mais direta do que nunca.

O primeiro single, "Rusted From The Rain" é apenas um exemplo de como as coisas ficaram mais pesadas e, talvez, aponta exatamente para onde o Billy Talent mandou bem o tempo todo. Não há como confundir o legado de bandas dos anos 90, como Green Day e Pearl Jam em canções como esta. Na verdade, quer se trate de cuspir rock bufando ("Tears Into Wine") ou uma balada trágica ("White Sparrows"), Ben Kowalewicz (vocalista/compositor) e companhia nunca perdem o foco. Você pode muito bem fazer a associação musical a outros grupos aqui e ali - os fãs de Muse, sem dúvida, irão gostar de "The Dead Can't Testify" -, mas é sempre apenas de passagem, porque o Billy Talent já chegou ao patamar de ser a banda a ser comparada; que fez o seu som virar a sua própria marca.

Outra área em que o Billy Talent se destaca é também nas letras. No passado, Ben foi inspirado por tudo: desde problemas pessoais a artigos de jornal; e parece que nada mudou. O "Billy Talent III" abrange todo o espectro - a perseguição, a política, tentativas de suicídio, o luto, e ser um fracasso no amor. Cada canção conta uma história, mas o que você escolhe tirar dela fica a seu critério. A questão é que esse álbum consegue deixar lições de moral extremamente divertidas, e dão às suas músicas intensidade e transmitem uma hostestidade ímpar. No entanto, se há uma moral para o álbum como um todo, tem que ser a de que o trabalho duro compensa, porque o "Billy Talent III" é um exemplo alucinante de uma banda no topo de seu jogo.

Para fãs de: Sum 41, Zebrahead, Three Days Grace

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Música: Alkaline Trio - Crimson




















A marca de uma boa banda não é apenas se ela pode resistir ao teste do tempo, mas também se pode crescer e evoluir com sucesso ao fazê-lo. O Alkaline Trio está por aí já desde os tempos de cantor underground de Matt Skiba em Chicago em meados dos anos 90, e cada lançamento subseqüente constituiu um passo no seu crescimento musical florescente. Crimson é o melhor próximo passo para o Alkaline Trio. Ele mantém o sentido sombrio e devastador do Good Mourning, mas também é muito mais acessível com a sua agressividade mais controlada, com toques de piano e a ótima produção de Jerry Finn, que trabalhou com o Blink-182 e é muito relevante para o som do Alkaline Trio.

Gradualmente, porém, é a música que está lentamente em metamorfose. Não se trata de uma mudança radical de direção em comparação com os álbuns anteriores, mas é o suficiente para dizer que a banda ainda está aprendendo e se esforçando para que a perfeição melódica que todas as boas bandas punk ainda mantém. Um exemplo chave seria "Burn", que mostra a profundidade tanto musical quanto emocional de Matt Skiba enquanto ele lastima "Com o intuito de queimar, fingindo lutar contra isso; Todo mundo aprende mais rápido no fogo". Outra faixa que segue esta mesma linha é "I Was A Prayer", enfatizando as partes de guitarra.

Claro, há também canções puramente pop punk como "Mercy Me", "Your Neck" e "Dethbed" - onde as letras vão até um nível no mínimo interessante: "Caindo como estrelas num oceano negro, nós vamos desaparecer; E qualquer coisa que permanecer reconhecível será varrido com o medo". É tudo novo até chegarmos ao epicentro do álbum "Sadie", um conto psicótico passível de Alfred Hitchcock. Com as amarras conectadas ao rock gótico do The Cure, a canção conta a história de Sadie Glutz (entenda, Susan Atkins da Família Manson). Friamente ele termina a canção com a leitura de uma declaração de Susan Atkins: "Eu acho que se eu encontrasse um deus que fosse tão bonito para mim, eu faria qualquer coisa para ele. Eu faria qualquer coisa para Deus. Até mesmo um assassinato, se eu acreditasse que era Deus, como isso poderia não ser correto? Porque ele disse que era. Eu não tenho nenhum remorso de assassino dentro de mim, eu não tenho culpa em mim". Manero!

E é por isso que o Alkaline Trio parece ter aquela presença atemporal enquanto outras bandas vem e vão, surgindo brevemente sob os holofotes da MTV e logo em sequência, com a mesma velocidade, sumindo das do cenário musical. É o pop punk amarrado a um mundo adulto, com uma macabra maquiagem que consegue evitar a idiotisse pura, muito comum hoje em dia nesse ramo. Felizmente para nós, não há fim à vista, como Skiba promete em "I Was A Prayer", "Irei cuspir palavras até você ver meus pulmões na pista". Ainda bem!

Para fãs de: The Offspring, Rise Against, MxPx

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Música: Jimmy Eat World - Chase This Light




















A parte mais difícil de escrever resenhas é começar. Eu gosto de começar com uma idéia abstrata que se relaciona com a música e segue o meu caminho em uma descrição mais profunda. Clichê? Talvez, mas acho que funciona. Muitas vezes, as minhas ideias para o início de uma resenha vêm como um fluir enquanto escuto o álbum, mas quando eu ouço o "Chase This Light" do Jimmy Eat World, tudo o que posso fazer é relaxar meu pescoço e apreciar a música. Curiosamente, isto não é devido a uma falta de emoção ou musicalidade da banda ou composições pobres, mas ao humor da música. "Chase This Light" é a evolução final da banda no pop rock, quase completamente abandonado suas origens como uma banda emo.

Onde o "Bleed American" se mostrou muito melancólico, "Clarity" e "Futures" exibiram um clima mais obsucuro nas músicas, a versão mais recente do Jimmy Eat World tem canções com tons comemorativos. "Big Casino", faixa de abertura e primeiro single, cria perfeitamente o clima e a atmosfera para o que vem a seguir. Jim Adkins (vocal/guitarra/letras) comemora seu sucesso o tempo todo e também faz uma metáfora para toda a indústria musical, vendo cada banda famosa como se tivesse sido retirada aleatoriamente de uma biblioteca. O produtor Butch Vig (o mesmo do Nevermind do Nirvana) acentua a estrutura verso-baixo-refrão-alto deles fazendo com que as duas dinâmicas soem extremamente diferentes, e o refrão ganha um peso incrível. Na composição em si, a banda duplica as guitarras quando chega o refrão.

Felizmente, apesar da qualidade de "Big Casino", o álbum fica melhor a partir desse ponto. "Always Be" combina letras perfeitas com cativantes estalares de dedos e palmas, um símbolo perfeito para a entrada definitiva da banda no pop rock puro. "Electable (Give It Up)" leva a energia do hino "Sweetness" com uma melhoria na produção e letras mais inteligentes. "Here It Goes" é possivelmente a canção mais cativante da banda e, ainda assim, uma variada na receita musical até então utilizada pelo Jimmy Eat World.

Tal como acontece com quase todos os outros álbuns da banda, "Chase This Light" se equilibra entre o rock pop com baladas mais atmosféricas. "Gotta Be Somebody's Blues" explora um novo território com instrumentos de corda clássicos e a sua música mais ao estilo aérea desde o álbum "Clarity", condensando as ideias excessivamente exploradas no "Stay On My Side Tonight EP". "Carry You" gira em torno de um riff violão, diminuindo um pouco a energia após a abertura "a mil por hora" das três músicas iniciais. A parte lírica do álbum flui como se tivesse sido escrita a partir de uma caneta diferente da usada pela banda nos cinco discos anteriores; de "eu sou um caso de sucesso de Nova Jersey" a "a beleza está no que você faz", Adkins esboça letras de esperança ao invés de retratar o amor perdido ou seus outros temas habituais.

Em termos gerais, o "Chase This Light" leva o som do pop rock dos seus álbuns mais recentes e aperfeiçoa o estilo, complementado com as habilidades impecáveis de Butch Vig. Novamente, os refrãos soam mais potentes e mais cativantes do que nunca. Contudo, o que muda a partir de seus discos anteriores é a atmosfera mais alegre que se apresentou em algumas músicas em "Bleed American" que espalha suas asas totalmente aqui. Entre lançamentos peso-pesados do Radiohead, Thrice, Coheed and Cambria, e outros, o "Chase This Light" pode ser deixado um pouco de lado, mas com o tempo a energia positiva do álbum vai voar e o Jimmy Eat World pode se ver novamente no topo.

Para fãs de: Blink-182, Yellowcard, New Found Glory

terça-feira, 20 de julho de 2010

Música: The Living End - White Noise




















Ah, a letra de uma música. Hoje em dia temos uma banalização cada vez maior das mensagens que uma banda passa quando vai compor uma canção (Bob Dylan deve sentir um calafrio ao ouvir certas coisas). Assim que pego para ouvir um álbum novo de alguma banda, as duas ou três primeiras "ouçadas" são pra pegar a parte instrumental da coisa. Só que isso não se aplica ao The Living End. Para um conjunto que tem um excelente guitarrista, um cara tocando um contrabaixo* (!!!) no palco feito um louco e um baterista que sempre ganha prêmios pela sua habilidade, a parte instrumental já está garantida.

Em "White Noise" o que surpreende é a parte lírica, que impressiona não só a mim, mas a qualquer um que aprecia ouvir a real opinião dos músicos ao invés de músicas sobre sentir saudades ou não poder estar junto de alguém. Guerra, intolerância, alienação, está tudo aqui! Todos gostam de álbums que tenham um pouco de inteligência, e este entra nesta categoria.

"How Do We Know?" é a faixa de abertura do disco e nem poderia ser outra. Tanto pelo brilhantemente executado riff de introdução quanto pela imparcialidade da letra encorajando a liberdade de expressão. A seguir temos "Raise the Alarm", com seu tema ateísta típico do grupo. A primeira faixa escolhida para ser single, "White Noise" (que dá nome ao álbum), não é a melhor do disco, mas tem todo o espírito do The Clash, bem ao estilo de improviso. A ótima "Moment in the Sun" vai na linha do "não há nada pra você nesta cidade, meu filho". Como cidadão esperafelicense que sou, eu me identifico muito com esta música. "Waiting for the Silence" é uma faixa com um significado muito forte para o compositor. Trata-se de um período em que os 3 membros brigaram e a banda estava próxima do fim. "Make the Call" é a típica música de se tocar ao vivo. Uma direção bem interessante - e diferente - tomada pelo Living End. Em termos de letra e protesto, nenhuma outra é tão "porrada na cara" quanto "Loaded Gun". Trecho:

Você ouviu o que houve com o pobre homem na estação de trem essa noite?
Ele foi morto a sangue frio

Esperando pelo trem

Enquanto ia embora pra casa para sua esposa

E o relatório da polícia disse

"Nós não tínhamos outra escolha

Fizemos o que fomos obrigados a fazer

Ele estava suando

Com sua mochila nas costas

Quem sabe o que ele poderia ter feito

Nós fizemos a única coisa que sabemos fazer".


"Kid" é uma crítica ferrenha à maneira com que as crianças tem sido criadas atualmente. Sua melodia também é daquelas cativantes. A faixa seguinte é uma das minhas favoritas também. "21st Century" faz um apanhado geral e uma análise profunda do século que estamos vivendo. Toda essa loucura do dia-a-dia, a correria, as barbáries, etc. A faixa que encerra o álbum é outra daquelas que te deixa refletindo quando acaba. Eis um trecho de "Sum of Us":

Deus, ajude àqueles que não ajudam os outros
Alguns de nós tem mais direitos do que outros

Alguns de nós tem que lutar mais do que outros

Nós todos temos o nosso tempo para viver

Mas não temos tempo um para o outro.


Para fãs de: Green Day, NOFX, Bad Religion

*: ISSO é um contrabaixo.

domingo, 18 de julho de 2010

Filme: A Proposta

Domingo chuvoso = ficar em casa na internet.
Mas, é claro que eu não ia ficar o dia inteiro na internet, tinha que variar, e como existe uma locadora de filmes na minha cidade, foi pra lá que eu fui. Tanãnãnã, pedi sugestão ao carinha, e ele disse pra eu levar "A proposta", e foi o que eu fiz. Confesso que quando vi a capa do filme pela primeira vez achei que ele seria chato, mas não, o filme era super divertido e eu ri do início ao fim. É um tipo de história legal de se ver, até porque é comédia romântica, e que até me inspirou pra continuar escrevendo algo que comecei há um tempo. Achei também criativa e bem pensada, mas deixaram a desejar em alguns detalhes, como por exemplo o fato de não terem dado tanta ênfase no pai do "noivo" não apoiar o casamento; não mostraram muito que a Margaret (Sandra Bullock) tinha se apaixonado pelo assistente (Andrew - Ryan Reynolds) e vice versa e no final (que já era um final esperado), ficou meio 'vago' [essa palavra me persegue] o fato do noivo dizer: 'Ah, eu te amo'.
Mas, opinião pessoal: eu gostei do filme, achei engraçado e divertido, e me emociono atoa com essa coisa de família e, ér, romance.
Então é isso, fica ai uma sugestão e opinião pra quem gosta de comédia romântica.

Filme: O Paraíso É Logo Aqui

Hi people (mania chata). Estamos ae com o blog, eu com mais um o/ e o tema parece que já dá pra sacar né? Sim, cinema e música. (: Pois bem, como eu fico com a parte que cabe a mim, vou falar do filme que vi hoje. Ontem a noite, com uma vontade de ver filme aluguei um, “O paraíso é logo aqui”. Acabei me entretendo na internet e fui ver o filme só hoje. Ver nada, porque não vi ele todo, parei na metade. O filme me pareceu bom, mas por questões emocionais e de crença, larguei ele. Na maioria das cenas que vi, o cara ou estava discutindo com uma velha católica que perdeu o namorado por infarto, ou estava no mercado olhando pra cara de uma nerd que usa óculos redondos e feios, que aparentemente (pela grossura da lente) devem ter uns cinco graus em cada, e comprando vodka e pizzas. Pela falta de animação do filme, e pelos outros motivos que já citei, não quis ver todo. O cara muda pra uma casa, e mal tem móveis nela. Na verdade ele tem uma doença e ta só adiantando sua morte bebendo o dia todo e comendo só porcaria. Na parede da varanda dele, aparece na infiltração uma mancha que a vizinha insiste em dizer que é o rosto de Deus, um verdadeiro milagre. ;O óóó! *ALOK* Daí a garotinha que é muda (por opção, depois de ter um trauma de abandono) vai lá, encosta no rosto de “Deus” e volta a falar. FELIZ. O dono da casa fica bolado com o que o pessoal ta falando da parede da casa dele, e xinga todo mundo (mentira, nem tanto). Daí eu fico imaginando, será que ele no final do filme encosta a mão no rosto e se cura da doença? Ou será que ele passa a ter fé e come a vizinha? Ah, sei la, se alguém souber como termina esse filme, me conta.

Música: Biffy Clyro - Only Revolutions




















Dois anos e pouco após o merecido reconhecimento atingido com o ótimo álbum "Puzzle" e a ascenção do Biffy Clyro de banda de fim de noite à atração principal do festival, surge o novo trabalho dos caras: Only Revolutions. Ainda é o mesmo antigo Biffy, sem dúvida (os perfeitos versos 'para-e-continua' e a voz rouca inconfundível de Simon Neil nos refrãos ainda são muito marcantes), mas o quinto álbum de estúdio dos cabeludos escocêses tem o som de um grupo que cresceu consideravelmente após dois anos sem-camisas suando nos incontáveis palcos ao redor do mundo.

Desde do início, com um som que lembra a trilha sonora de quando um pirata vai andando na tábua em direção aos tubarões, "The Captain" tem uma guitarra pessada com pausas estratégicas para criar uma abertura brilhante. A música seguinte, "The Golden Rule" é uma obra de arte; e é surpreendentemente - por estar posicionada tão no começo do álbum - a canção mais pesada do CD. O riff pesado bem ao estilo Queens of the Stone Age também está presente. A influência de Josh Homme sobre o álbum não para por aí; ele também contribui para um solo de guitarra na faixa seguinte "Bubbles". As clássicas baladas Rock N' Roll "God & Satan" (particularmente a minha favorita do álbum) e "Many of Horror" são excelentes; esta última contendo letras que apertam na garganta, como:

You say, 'I love you, boy' (Você diz, 'Eu te amo, cara')
But I know you lie (Mas eu sei que você mente)
I trust you all the same (Eu digo o mesmo a ti)
I don't know why (Não sei porque)

...que mostra a questão a partir de um ponto de vista diferente. Sabe aquelas músicas que grudam à sua cabeça que você não consegue parar de cantar nem por um instante o resto do dia todo? Essa é "Shock Shock". "Born On A Horse" toma uma direção em que o Biffy Clyro nunca havia se aventurado antes. A única canção do álbum que não se compara às grandes obras deste álbum é "Boooom, Blast & Ruin". Esta se parece com alguma faixa de qualquer álbum dos dias underground do Biffy Clyro (com uma melhor produção, é claro), mas não agrada tanto nem aos fãs hardcore fiéis àqueles dias nem à base de garotos fãs desde o famoso álbum anterior.

O álbum também tem lugar para o single que chegou ao Top 5 no Reino Unido "Mountains", que mostra o quanto o Biffy evoluiu desde o single de estréia "Iname", de 1999, que não conseguiu chegar nem ao Top 200. "Only Revolutions" não é a revolução que os fãs hardcore estavam esperando, mas com certeza vai lançar a banda a alturas ainda maiores. Será quase impossível para qualquer um ouvir o álbum não se sentir estranhamente inspirado ou admirado. A única coisa que impede o Biffy Clyro de serem considerados deuses do rock em todo o mundo é a falta de publicidade ou propaganda.

Para fãs de: Foo Fighters, Weezer, The Raconteurs