O folclore islandês fala do "Povo Escondido" que vive em rochedos e montanhas de lava do país. Mesmo nesta era moderna de telefones celulares e helicópteros, os islandeses continuam a acreditar que as pessoas ainda estão por aí escondidas em algum lugar. Os trabalhadores da construção civil do país chegam até a desviar estradas para não passarem em supostos pontos onde o povo escondido habita. Como pode uma pessoa moderna encontrar fé em fantasias desse tipo? Uma pouco de mitologia nórdica e uma paisagem deslumbrante explica isso. A música do Sigur Rós com certeza também perpetua tal fato, no mínimo, peculiar.
O álbum começa como se estivesse submerso. Ao fundo você ouve um sonar ecoando e ditando o ritmo da canção; de uma cativante e tão aconchegante que soa como um oceano dentro de sua mente. Um órgão então entra em cena. A bateria é tão suave que praticamente passa despercebida durante a evolução da música. A arpa abre caminho para a guitarra caótica, que espalha seus ruídos por todos os lados. Imerso em tal estado de hipnose, você se deixa levar pela canção como se estivesse flutuando em mar aberto a caminho do paraíso. A música termina com um batimento cardíaco acelerado que palpita pelo seu peito. Sinta sua última respiração. Você morreu.
A faixa seguinte sai da seção de cordas de "Svefn-G-Englar" para a maravilhosa "Starálfur". Um solo de piano abre a canção, até o vocal e o violino entrarem em cena. A partir do segundo verso escuta-se partes de bateria com um tom mórbido, até que vários instrumentos de corda florescem para um solo clássico. A canção tem quebras sutis com trechos acústicos onde só se ouve a voz do cantor como se em uma caixa de som estourada e um violão acústico mantendo o compasso. Desta forma, o álbum continua a te levar cada vez mais pro alto (ou pra baixo, dependendo da sua perspectiva ao apreciá-lo).
"Ný Batterí" começa com uma sequência de cornetas tocadas aleatoriamente. Elas vão lentamente se distanciando como em redemoinhos onde o zumbido baixo massagea sua mente. Quando você menos percebe, a música entra em erupção junto com a bateria (com um som particularmente peculiar). Com um toque de bateria típico do jazz bebop e vários pianos melhoram o astral em "Hjartað Hamast". "Olsen Olsen" é simplesmente a parte mais delicada do álbum. Simples e objetiva, ela chega a tocar a sua alma.
Taxar esta música de "post-rock" seria um insulto; o Sigur Rós é o "pré" seja lá o que vier neste século. Piano, flautas, arpas, cornetas, trompetes, e aquela voz surpreendentemente relaxante que faz você se sentir voando dentre as nuvens (seja lá onde quer que você realmente esteja) são o que caracterizam este grupo. Esses caras inventaram uma linguagem lírica (Hopelandish) que você pode estar tanto choramingando pelos cantos ou mesmo esbravejando sua raiva e insatisfação que, para quem te ouve, sem dúvida isso irá soar como música.
O Sigur Rós faz esta afirmação em seu website: "Nós simplesmente vamos mudar a música para sempre, e a forma como as pessoas pensam sobre música. O feto anjo alienígena impresso na capa do álbum serve como o logotipo perfeito. O Sigur Rós sem muito esforço consegue fazer música que é potente, glacial e tranquilizante. Eles são as pessoas escondidas. Crianças serão concebidas, pulsos serão cortados, cicatrizes serão curadas e lágrimas escorrerão por este grupo. Eles são, sem a menor sombra de dúvida, a primeira banda realmente importante do século 21.
O álbum começa como se estivesse submerso. Ao fundo você ouve um sonar ecoando e ditando o ritmo da canção; de uma cativante e tão aconchegante que soa como um oceano dentro de sua mente. Um órgão então entra em cena. A bateria é tão suave que praticamente passa despercebida durante a evolução da música. A arpa abre caminho para a guitarra caótica, que espalha seus ruídos por todos os lados. Imerso em tal estado de hipnose, você se deixa levar pela canção como se estivesse flutuando em mar aberto a caminho do paraíso. A música termina com um batimento cardíaco acelerado que palpita pelo seu peito. Sinta sua última respiração. Você morreu.
A faixa seguinte sai da seção de cordas de "Svefn-G-Englar" para a maravilhosa "Starálfur". Um solo de piano abre a canção, até o vocal e o violino entrarem em cena. A partir do segundo verso escuta-se partes de bateria com um tom mórbido, até que vários instrumentos de corda florescem para um solo clássico. A canção tem quebras sutis com trechos acústicos onde só se ouve a voz do cantor como se em uma caixa de som estourada e um violão acústico mantendo o compasso. Desta forma, o álbum continua a te levar cada vez mais pro alto (ou pra baixo, dependendo da sua perspectiva ao apreciá-lo).
"Ný Batterí" começa com uma sequência de cornetas tocadas aleatoriamente. Elas vão lentamente se distanciando como em redemoinhos onde o zumbido baixo massagea sua mente. Quando você menos percebe, a música entra em erupção junto com a bateria (com um som particularmente peculiar). Com um toque de bateria típico do jazz bebop e vários pianos melhoram o astral em "Hjartað Hamast". "Olsen Olsen" é simplesmente a parte mais delicada do álbum. Simples e objetiva, ela chega a tocar a sua alma.
Taxar esta música de "post-rock" seria um insulto; o Sigur Rós é o "pré" seja lá o que vier neste século. Piano, flautas, arpas, cornetas, trompetes, e aquela voz surpreendentemente relaxante que faz você se sentir voando dentre as nuvens (seja lá onde quer que você realmente esteja) são o que caracterizam este grupo. Esses caras inventaram uma linguagem lírica (Hopelandish) que você pode estar tanto choramingando pelos cantos ou mesmo esbravejando sua raiva e insatisfação que, para quem te ouve, sem dúvida isso irá soar como música.
O Sigur Rós faz esta afirmação em seu website: "Nós simplesmente vamos mudar a música para sempre, e a forma como as pessoas pensam sobre música. O feto anjo alienígena impresso na capa do álbum serve como o logotipo perfeito. O Sigur Rós sem muito esforço consegue fazer música que é potente, glacial e tranquilizante. Eles são as pessoas escondidas. Crianças serão concebidas, pulsos serão cortados, cicatrizes serão curadas e lágrimas escorrerão por este grupo. Eles são, sem a menor sombra de dúvida, a primeira banda realmente importante do século 21.
Para fãs de: Radiohead, Amiina, Arcade Fire
Obs.: "Sigur Rós" em português significa "Rosa Vitória" e "Ágætis Byrjun" significa "Um bom começo".
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