Ah, a letra de uma música. Hoje em dia temos uma banalização cada vez maior das mensagens que uma banda passa quando vai compor uma canção (Bob Dylan deve sentir um calafrio ao ouvir certas coisas). Assim que pego para ouvir um álbum novo de alguma banda, as duas ou três primeiras "ouçadas" são pra pegar a parte instrumental da coisa. Só que isso não se aplica ao The Living End. Para um conjunto que tem um excelente guitarrista, um cara tocando um contrabaixo* (!!!) no palco feito um louco e um baterista que sempre ganha prêmios pela sua habilidade, a parte instrumental já está garantida.
Em "White Noise" o que surpreende é a parte lírica, que impressiona não só a mim, mas a qualquer um que aprecia ouvir a real opinião dos músicos ao invés de músicas sobre sentir saudades ou não poder estar junto de alguém. Guerra, intolerância, alienação, está tudo aqui! Todos gostam de álbums que tenham um pouco de inteligência, e este entra nesta categoria.
"How Do We Know?" é a faixa de abertura do disco e nem poderia ser outra. Tanto pelo brilhantemente executado riff de introdução quanto pela imparcialidade da letra encorajando a liberdade de expressão. A seguir temos "Raise the Alarm", com seu tema ateísta típico do grupo. A primeira faixa escolhida para ser single, "White Noise" (que dá nome ao álbum), não é a melhor do disco, mas tem todo o espírito do The Clash, bem ao estilo de improviso. A ótima "Moment in the Sun" vai na linha do "não há nada pra você nesta cidade, meu filho". Como cidadão esperafelicense que sou, eu me identifico muito com esta música. "Waiting for the Silence" é uma faixa com um significado muito forte para o compositor. Trata-se de um período em que os 3 membros brigaram e a banda estava próxima do fim. "Make the Call" é a típica música de se tocar ao vivo. Uma direção bem interessante - e diferente - tomada pelo Living End. Em termos de letra e protesto, nenhuma outra é tão "porrada na cara" quanto "Loaded Gun". Trecho:
Você ouviu o que houve com o pobre homem na estação de trem essa noite?
Ele foi morto a sangue frio
Esperando pelo trem
Enquanto ia embora pra casa para sua esposa
E o relatório da polícia disse
"Nós não tínhamos outra escolha
Fizemos o que fomos obrigados a fazer
Ele estava suando
Com sua mochila nas costas
Quem sabe o que ele poderia ter feito
Nós fizemos a única coisa que sabemos fazer".
"Kid" é uma crítica ferrenha à maneira com que as crianças tem sido criadas atualmente. Sua melodia também é daquelas cativantes. A faixa seguinte é uma das minhas favoritas também. "21st Century" faz um apanhado geral e uma análise profunda do século que estamos vivendo. Toda essa loucura do dia-a-dia, a correria, as barbáries, etc. A faixa que encerra o álbum é outra daquelas que te deixa refletindo quando acaba. Eis um trecho de "Sum of Us":
Deus, ajude àqueles que não ajudam os outros
Alguns de nós tem mais direitos do que outros
Alguns de nós tem que lutar mais do que outros
Nós todos temos o nosso tempo para viver
Mas não temos tempo um para o outro.
Para fãs de: Green Day, NOFX, Bad Religion
*: ISSO é um contrabaixo.
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