sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Música: Set Your Goals - This Will Be The Death Of Us




















Em um ano (como se fosse piada) referido como "o ressurgimento do pop-punk" por alguns "experts" no assunto, não há muitas bandas dentro do gênero que vão lançar um álbum tão bom quanto o "This Will Be The Death Of Us", do Set Your Goals. Com todas as letras escritas pelo vocalista Jordan Brown, o álbum que tem 12 trilhas é como a Liga da Justiça - as faixas são impressionantes individualmente, mas simplesmetne imparáveis quando ouvidas juntas.

O Set Your Goals exibe uma explosão que muitas bandas não conseguem igualar. A faixa-título dá as caras com uma guitarra enérgica, enquanto os vocalistas Matt Wilson e Jordan Brown harmonizam muito bem por toda ela. Vinnie Caruana (vocalista do I Am The Avalanche) acrescenta um verso poderoso para fechar a trilha. Canções como "Look Closer" e "Like You To Me" compactam uma poderosa melodia com um tom agradável, enquanto "Summer Jam" é uma daquelas que você quer cantar junto, registrando memórias da turnê inicial da banda.

O coração do álbum está nas próximas músicas. "The Fallen" mantém a alma do também excelente primeiro álbum demo da banda (Mutiny!) de 2006. As trocas do vocal por parte de Wilson e Brown são muito bem executadas, enquanto o baterista Michael Ambrose define o ritmo. "The Few That Remain" apresenta ótimas quebras de ritmo e uma participação de matar de Hayley Williams (Paramore), garantindo assim a esta faixa o título de favorita a muitos fãs. John Gula (vocalista da banda metal/punk Turmoil) empresta sua voz a brutal em "Gaia Bleeds (Make Way For Man)", que é a música mais pesado que o SYG já compôs.

Além de arrebentar com sua musicalidade, o Set Your Goals também assume uma postura com suas letras, abordando problemas do dia-a-dia e questionando a autoridade. "Flawed Methods of Persecution & Punishment" manda uma mensagem com letras socialmente conscientes embrulhadas em um som extremamente cativante. "Our Ethos: A Legacy To Pass On" tem aquele estilo skate punk dos anos 90 (graças aos guitarristas Audelio Flores e Daniel Coddaire), criando uma trilha barulhenta que apresenta Chad Gilbert gritando do fundo de seus pulmões. A canção fecha o álbum com a principal mensagem de positividade do Set Your Goals.

This Will Be The Death Of Us é o retorno do pop-punk que você conhece e adora. Nunca tendo um momento para relaxar, o Set Your Goals melhorou em todos os sentidos em relação à sua estréia em 2006, com o Mutiny!. Ele tem o toque que tem faltado ao gênero há alguns anos, enquanto a banda se torna espetacular ao escrever letras atrativas sem que soem "radiantes" (no sentido GAY da palavra) ou superproduzidas. Tenha certeza: este é um dos melhores álbums recentemente lançados no estilo que levou jovens à loucura durante os anos de domínio de bandas como Green Day, Blink-182, The Offspring, etc.

Para fãs de: New Found Glory, A Day To Remember, Valencia

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Filme: Dança com Lobos

Hoje a turma da escola se reuniu na casa de uma amiga para ver o filme "Dança com Lobos", na verdade eu não fui mas já havia visto o filme no ano passado umas duas vezes. O filme conta sobre um soldado que, após a Guerra Civil das antigas Treze Colônias saiu de sua casa para explorar o "velho oeste". As Treze Colônias eram no leste do país tendo o oeste habitado por índios.
Esse soldado começa a morar sozinho no meio do 'nada' e conhece os Sioux que são nativos de lá, se tornando amigo deles e conhecendo seus costumes, até aprende a falar a sua língua e vice versa. Ele se apaixona por uma 'branca' que foi adotada pelos índios, já que seus pais foram mortos quando ela era pequena.
O soldado começa a viver com aqueles índios, participa até de guerras ao lado deles.
Eu particularmente adorei o filme, apesar de ter uma grande duração. Ele ajuda a entender melhor a história dos Estados Unidos (nem tanto, mas ajuda) e foi indicado pela nossa professora de história.

Música: Brand New - Deja Entendu




















Normalmente eu começaria uma resenha com algo que iria definir o resto dela. Eu poderia começar com algo que é engraçado ou inspirador. Talvez eu começaria com algo que faria você comprar ou não comprar este álbum. Mas sinto que começar esta resenha com qualquer coisa neste estilo seria errado e injusto com o Brand New. Este álbum me mostra tudo o que está direito com a indústria musical hoje em dia.

Deja Entendu é "já ouvi" em francês. Eu acho isso engraçado, porque sempre que eu ouço o Deja Entendu, penso em como eu nunca ouvi nada como ele antes e provavelmente nunca mais irei; me espanta como um álbum com tamanhas diversidades líricas pode soar tão bem como um todo.

Se você estiver pensando em baixar este álbum na internet, a resposta é simples: baixe*! A canção "Sic Transit Glora... Glory Fades" começa com um dos melhos riffs de baixo que eu já ouvi. A canção começa com o vocalista Jesse Lacey cantando em um tom abafado, praticamente um sussurro. A letra é simplesmente brilhante, e relata a primeira experiência sexual de um rapaz. Então no refrão, com uma guitarra pesada, a voz macia de Lacey se transforma em um uivo, e cantando do fundo do coração como ele então berra "Die young and save yourself!" (Morra jovem e salve-se!). Depois do refrão, como em um estalar de dedos, a música volta ao seu sussurro do verso.

A próxima música, "I Will Play My Game Beneath the Spin Light", vai em uma direção completamente diferente. Principalmente tocada num violão, a canção ainda é rápida e cativante. A voz de Lacey realmente brilha nessa faixa, assim como a sua versatilidade lírica. Ele faz uma reflexão sobre o cenário musical e sobre si mesmo com versos como "Eu sou pago para fazer as garotas pirarem enquanto eu canto". A faixa "Okay I Believe You, But My Tommy Gun Don't" começa semelhante à "I Will Play My Game Beneath the Spin Light", exceto que com uma guitarra elétrica no lugar do violão. Quando chega no refrão, o som é duplicado, e torna-se uma canção de puro rock. Particularmente, esta é a minha faixa favorita do álbum. Principalmente pela parte da bateria. "The Quiet Things That No One Ever Knows" começa com um riff de guitarra simples, que então, é jogado sobre acordes pesados, que levam ao verso. Os vocais do refrão se alternam entre Lacey e ele mesmo, cada linha termina com uma certa mordida que parece pouco, mas acrescenta muito à música. "Me vs Maradona vs Elvis" começa com uma guitarra num tom de esperança e a voz de Lacey se encaixa tão bem nesta canção que chega a soar um pouco feliz, ainda que tenha um tom triste que ele carrega por toda ela.

"Guernica" começa com uma introdução épica com a harmonia guitarra/bateria que flui até à parte "Desde que eu era jovem; a tua palavra é a palavra que sempre ganha." A voz de Lacey soa ansiosa pelo verso, e quando ele chega, o Brand New traz o seu som característico em um refrão poderoso. O segundo refrão termina com um grito apaixonado que praticamente sumiu desde a faixa de abertura.

Com o Deja Entendu, o Brand New fez algo especial, pois eles fizeram um álbum que não pode ser colocado para baixo. Um álbum como este é difícil de encontrar, e eles só aparecem por aí bem de vez em quando (se tivermos sorte). Quando um álbum como este é lançado, seria uma injustiça não a ouvi-lo repetidamente.

Para fãs de: Manchester Orchestra, Jack's Mannequin, Taking Back Sunday

*: Bem que eu gostaria de dizer "compre", mas infelizmente só a versão importada está disponível para compra no Brasil, e obviamente, o preço é bem puxado.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Música: Say Anything - Say Anything




















O Say Anything surgiu aos olhos do público com o ...Is A Real Boy, um disco muito experimental, com letras estranhas, algumas vezes totalmente altruístas que também eram muito legais e interessantes pela ligação com o punk e a improvisação musical. Sua continuação, o CD duplo In Defense Of The Genre, escrito por um recém-sóbrio Max Bemis (que enfrentou sérios problemas com as drogas durante a turnê do disco anterior), demonstrava muito mais letras "direto ao ponto" e contudo, outro álbum incrivelmente bem construído que, enquanto nem toda música era um hit, mas olhando para ele como um todo, foi praticamente uma obra-prima. Foi um olhar para dentro da cabeça do homem tentando entender como ele passou por um momento muito sombrio de sua vida, lidando com sua saúde mental, um relacionamento abusivo, e sua recuperação.

E agora, temos o terceiro álbum, o auto-intitulado Say Anything, e esse é o mais fácil de se ouvir, e ainda mais "ao ponto". Não apresentando nenhuma palavra de profanação de qualquer natureza (primeira vez para esta banda que normalmente enche suas músicas com blasfêmias e palavras de imprecação em geral) e com um tom muito mais animado, este CD parece uma versão totalmente nova da banda. Max Bemis se casou no ano passado e seu amor por sua mulher domina o CD (tanto quanto sua reafirmada fé em um poder superior, para o bem ou para o mal), resultando em muito menos amargura nas músicas.

Mas ainda e o Say Anything, não há menor dúvida disso. As letras ainda estão extremamente detalhistas, engraçadas, desafiadores, profundas e praticamente qualquer elogio que eu possa lhes dar. A voz de Max está do mesmo jeito (melódica, arrastada) no que ele consegue fazer dessa banda uma das únicas desse estilo inovador e divertido.
  1. Fed To Death (5/5) - Uma das minhas músicas favoritas do CD. No momento que esta começar a tocar, os fãs de vão se sentir em casa. Me fez desejar que o CD ainda fosse ser chamado This Is Forever, o nome inicialmente previsto para ele. Com letras um pouco metafóricas e bem ao estilo do ...Is A Real Boy.
  2. Hate Everyone (5/5) - A introdução dessa música é uma orgia. Quando o álbum vazou eu esperei pra pegar uma versão com boa qualidade, mas nesse meio tempo eu via reviews de sites renomeados e as notas eram semrpe altas. Quando comecei a ouvir, fiquei bem ao estilo "wtf" até ela realmente começar. Sobre a música, a banda produz uma música bem ao estilo punk rock old-school que é muito cativante e bem divertida. Me lembra um pouco de I Fought The Law do The Clash.
  3. Do Better (5/5) - Essa é... diferente. Um som muito original. Como a maioria das músicas do CD, a letra é ótima! Bem "levanta astral". Um exemplo perfeito do Say Anything fazendo música como ninguém mais.
  4. Less Cute (4/5) - Outra canção que tem um ar otimista e é quase um jazz na hora dos versos, e o refrão é extremamente cativante. Bem engraçada também. Gosto muito dessa. Principalmente na hora do "Everytime I see your face I die inside", cantada de fundo no refrão final da música.
  5. Eloise (5/5) - A única música do CD que trata do fim da relação ruim com o In Defense Of The Genre, esta música praticamente fecha isso. Ótima música. Mais pessimista do que o resto, mas ainda assim se encaixa muito bem.
  6. Mara And Me (5/5) - Essa resume tudo! O puro e verdadeiro estilo Say Anything. Essa música tem várias partes completamente diferentes, cada uma do kr*lho. A letra desta música é uma das minhas favoritas do CD e a maneira na qual Max a transmite é perfeita. Principalmente na hora do "Wait a second. I can't write the same damn song over and over again". O parte do verso "Everything that you do keeps me running back to you" é a minha parte favorita do CD todo.
  7. Crush'd (4/5) - Pra mim esta música e sobre a mulher de Max, e poderia até ter ficado meio brega vindo de qualquer outro, mas o vocal e a entrega dele nela são com tanta sinceridade que isso realmente faz dela uma ótima música. A produção dela é altamente técnica também, e segundo o próprio site da banda, isso tem como objetivo "satirizar Justin Timberlake e Lil Wayne, e ao mesmo tempo, evocar um versão suada, judia do Coldplay". Haha, viu?!
  8. She Won't Follow You (3/5) - Outra música bem cativante, rápida e divertida. Um tanto quanto repetitiva no "Meet me in the backroom", mas no geral a música é boa.
  9. Cemetary (5/5) - A melodia em si dessa música já é excelente, mas a letra... FUCKIN PERFECT! A maneira com que as palavras se encaixam, o que ele quer transmitir, a maneira com a qual ele deixa bem claro o medo que não tem de morrer após estar com sua esposa para todo o sempre. Muito foda mesmo!
  10. Property (5/5) - Muito engraçada! Os versos são bem rápidos e a cheios de batidas picadas. O refrão é a parte mais engraçada. Retrata bem o sentimento de muitos quando começam um namoro. Adoro a parte que a parte cantada pára, e ele vem com os versinhos. Muito divertida mesmo!
  11. Death For My Birthday (4/5) - Um novo som do Say Anything. Num primeiro momento eu me perguntava o que eu estava ouvindo, mas torna-se mais e mais interessante no que ela vai evoluindo. A letra é bem interessante também. Muitos podem achar uma música emo, e até concordo em certo ponto. Só que a grande diferença é a letra. Pode parecer estranho, mas pra mim ele deixa bem claro os motivos de sua "revolta". Gosto muito do final também.
  12. Young, Dumb And Stung (3/5) - A mais fraca do álbum na minha opinião, mas o refrão e as letras são legais.
  13. Ahhh... Men (5/5) - No começo eu não era um grande fã desta música, mas uma vez eu parei pra ler/analisar a letra e basicamente tudo se encaixou. Pra mim a música relata o nosso lugar nesse vasto universo. A visão dele sobre Deus vendo toda essa loucura e sua própria visão sobre a fé e tudo isso. Com certeza é a música mais espiritual do álbum e muito interessante liricamente também. Felizmente, porém, ela é obscura e sutil; trata-se apenas de um homem a pensar sobre sua vida e por que estamos aqui. Musicalmente ela tem um tom mais acústico e cru do que o resto das músicas do CD, apesar de que no final ela fica um pouco mais complicada quando a batida muda e a bateria entra, e o Max começa a gritar várias coisas de fundo e o vocal fica no "Can I lie with you in your grave?". Sem dúvida é um grande final pro álbum.
No geral: Embora seja difícil neste momento decidir se alguma das músicas desse álbum terá a longevidade dos gostos de outras, tipo "I Want To Know Your Plans", "Alive With The Glory Of Love" ou "Admit It", este ainda assim é um excelente álbum que mostra uma banda e um vocalista/compositor maduros. Capazes de produzir tanto melodia quanto letras sensacionais. Um dos melhores álbuns que eu ouvi em um bom tempo muito e facilmente pário com outros CDs do Say Anything.

Para fãs de: Motion City Soundtrack, Brand New, The Academy Is...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Música: Billy Talent - Billy Talent III




















O Billy Talent sabe tudo sobre jogar durante muito tempo. Por anos, antes de aparecerem pela primeira vez no Reino Unido e ganharem reconhecimento, eles permaneceram ralando em seu país de origem (o Canadá) desenvolvimento de seu som, encontrando a sua identidade (que começou com o nome de Pezz), e lenta mas seguramente ganhando experiência. Mesmo quando eles se lançaram ao mundo com um álbum próprio em 2003 e com o apoio das grandes gravadoras, eles não foram um sucesso da noite para o dia. O sucesso de canções como "This Is How It Goes" e "Try Honesty", sem dúvida foi totalmente inesperado, mas mesmo naquele momento, com o entusiasmo visívelmente borbulhando, o Billy Talent se sentiu como um fenômeno underground. Foi só com o seu segundo álbum, de 2006, que o quarteto começou a receber o reconhecimento merecido no cenário pop-punk norte-americano. A esta altura, eles já haviam desenvolvido seus talentos líricos consideravelmente. O resultado foi o brilhante "Billy Talent II" (o melhor da banda até hoje), um enorme sucesso embalado com músicas de primeira qualidade.

Avançando para 2009, e o Billy Talent já é bem conhecido e respeitado aí fora. No entanto, está na hora de dar o próximo passo, e é exatamente isso o que eles fizeram. Mas como? Entrevistas recentes quase sugeriram um novo rumo, com a banda se referindo ao "Billy Talent III" como o álbum mais sombrio que eles fizeram até agora. Contudo, enquanto o disco pode soar mais denso como um todo, em sua excência ele é o clássico de Billy Talent - apenas feito de uma maneira mais forte e mais direta do que nunca.

O primeiro single, "Rusted From The Rain" é apenas um exemplo de como as coisas ficaram mais pesadas e, talvez, aponta exatamente para onde o Billy Talent mandou bem o tempo todo. Não há como confundir o legado de bandas dos anos 90, como Green Day e Pearl Jam em canções como esta. Na verdade, quer se trate de cuspir rock bufando ("Tears Into Wine") ou uma balada trágica ("White Sparrows"), Ben Kowalewicz (vocalista/compositor) e companhia nunca perdem o foco. Você pode muito bem fazer a associação musical a outros grupos aqui e ali - os fãs de Muse, sem dúvida, irão gostar de "The Dead Can't Testify" -, mas é sempre apenas de passagem, porque o Billy Talent já chegou ao patamar de ser a banda a ser comparada; que fez o seu som virar a sua própria marca.

Outra área em que o Billy Talent se destaca é também nas letras. No passado, Ben foi inspirado por tudo: desde problemas pessoais a artigos de jornal; e parece que nada mudou. O "Billy Talent III" abrange todo o espectro - a perseguição, a política, tentativas de suicídio, o luto, e ser um fracasso no amor. Cada canção conta uma história, mas o que você escolhe tirar dela fica a seu critério. A questão é que esse álbum consegue deixar lições de moral extremamente divertidas, e dão às suas músicas intensidade e transmitem uma hostestidade ímpar. No entanto, se há uma moral para o álbum como um todo, tem que ser a de que o trabalho duro compensa, porque o "Billy Talent III" é um exemplo alucinante de uma banda no topo de seu jogo.

Para fãs de: Sum 41, Zebrahead, Three Days Grace

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Música: Alkaline Trio - Crimson




















A marca de uma boa banda não é apenas se ela pode resistir ao teste do tempo, mas também se pode crescer e evoluir com sucesso ao fazê-lo. O Alkaline Trio está por aí já desde os tempos de cantor underground de Matt Skiba em Chicago em meados dos anos 90, e cada lançamento subseqüente constituiu um passo no seu crescimento musical florescente. Crimson é o melhor próximo passo para o Alkaline Trio. Ele mantém o sentido sombrio e devastador do Good Mourning, mas também é muito mais acessível com a sua agressividade mais controlada, com toques de piano e a ótima produção de Jerry Finn, que trabalhou com o Blink-182 e é muito relevante para o som do Alkaline Trio.

Gradualmente, porém, é a música que está lentamente em metamorfose. Não se trata de uma mudança radical de direção em comparação com os álbuns anteriores, mas é o suficiente para dizer que a banda ainda está aprendendo e se esforçando para que a perfeição melódica que todas as boas bandas punk ainda mantém. Um exemplo chave seria "Burn", que mostra a profundidade tanto musical quanto emocional de Matt Skiba enquanto ele lastima "Com o intuito de queimar, fingindo lutar contra isso; Todo mundo aprende mais rápido no fogo". Outra faixa que segue esta mesma linha é "I Was A Prayer", enfatizando as partes de guitarra.

Claro, há também canções puramente pop punk como "Mercy Me", "Your Neck" e "Dethbed" - onde as letras vão até um nível no mínimo interessante: "Caindo como estrelas num oceano negro, nós vamos desaparecer; E qualquer coisa que permanecer reconhecível será varrido com o medo". É tudo novo até chegarmos ao epicentro do álbum "Sadie", um conto psicótico passível de Alfred Hitchcock. Com as amarras conectadas ao rock gótico do The Cure, a canção conta a história de Sadie Glutz (entenda, Susan Atkins da Família Manson). Friamente ele termina a canção com a leitura de uma declaração de Susan Atkins: "Eu acho que se eu encontrasse um deus que fosse tão bonito para mim, eu faria qualquer coisa para ele. Eu faria qualquer coisa para Deus. Até mesmo um assassinato, se eu acreditasse que era Deus, como isso poderia não ser correto? Porque ele disse que era. Eu não tenho nenhum remorso de assassino dentro de mim, eu não tenho culpa em mim". Manero!

E é por isso que o Alkaline Trio parece ter aquela presença atemporal enquanto outras bandas vem e vão, surgindo brevemente sob os holofotes da MTV e logo em sequência, com a mesma velocidade, sumindo das do cenário musical. É o pop punk amarrado a um mundo adulto, com uma macabra maquiagem que consegue evitar a idiotisse pura, muito comum hoje em dia nesse ramo. Felizmente para nós, não há fim à vista, como Skiba promete em "I Was A Prayer", "Irei cuspir palavras até você ver meus pulmões na pista". Ainda bem!

Para fãs de: The Offspring, Rise Against, MxPx

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Música: Jimmy Eat World - Chase This Light




















A parte mais difícil de escrever resenhas é começar. Eu gosto de começar com uma idéia abstrata que se relaciona com a música e segue o meu caminho em uma descrição mais profunda. Clichê? Talvez, mas acho que funciona. Muitas vezes, as minhas ideias para o início de uma resenha vêm como um fluir enquanto escuto o álbum, mas quando eu ouço o "Chase This Light" do Jimmy Eat World, tudo o que posso fazer é relaxar meu pescoço e apreciar a música. Curiosamente, isto não é devido a uma falta de emoção ou musicalidade da banda ou composições pobres, mas ao humor da música. "Chase This Light" é a evolução final da banda no pop rock, quase completamente abandonado suas origens como uma banda emo.

Onde o "Bleed American" se mostrou muito melancólico, "Clarity" e "Futures" exibiram um clima mais obsucuro nas músicas, a versão mais recente do Jimmy Eat World tem canções com tons comemorativos. "Big Casino", faixa de abertura e primeiro single, cria perfeitamente o clima e a atmosfera para o que vem a seguir. Jim Adkins (vocal/guitarra/letras) comemora seu sucesso o tempo todo e também faz uma metáfora para toda a indústria musical, vendo cada banda famosa como se tivesse sido retirada aleatoriamente de uma biblioteca. O produtor Butch Vig (o mesmo do Nevermind do Nirvana) acentua a estrutura verso-baixo-refrão-alto deles fazendo com que as duas dinâmicas soem extremamente diferentes, e o refrão ganha um peso incrível. Na composição em si, a banda duplica as guitarras quando chega o refrão.

Felizmente, apesar da qualidade de "Big Casino", o álbum fica melhor a partir desse ponto. "Always Be" combina letras perfeitas com cativantes estalares de dedos e palmas, um símbolo perfeito para a entrada definitiva da banda no pop rock puro. "Electable (Give It Up)" leva a energia do hino "Sweetness" com uma melhoria na produção e letras mais inteligentes. "Here It Goes" é possivelmente a canção mais cativante da banda e, ainda assim, uma variada na receita musical até então utilizada pelo Jimmy Eat World.

Tal como acontece com quase todos os outros álbuns da banda, "Chase This Light" se equilibra entre o rock pop com baladas mais atmosféricas. "Gotta Be Somebody's Blues" explora um novo território com instrumentos de corda clássicos e a sua música mais ao estilo aérea desde o álbum "Clarity", condensando as ideias excessivamente exploradas no "Stay On My Side Tonight EP". "Carry You" gira em torno de um riff violão, diminuindo um pouco a energia após a abertura "a mil por hora" das três músicas iniciais. A parte lírica do álbum flui como se tivesse sido escrita a partir de uma caneta diferente da usada pela banda nos cinco discos anteriores; de "eu sou um caso de sucesso de Nova Jersey" a "a beleza está no que você faz", Adkins esboça letras de esperança ao invés de retratar o amor perdido ou seus outros temas habituais.

Em termos gerais, o "Chase This Light" leva o som do pop rock dos seus álbuns mais recentes e aperfeiçoa o estilo, complementado com as habilidades impecáveis de Butch Vig. Novamente, os refrãos soam mais potentes e mais cativantes do que nunca. Contudo, o que muda a partir de seus discos anteriores é a atmosfera mais alegre que se apresentou em algumas músicas em "Bleed American" que espalha suas asas totalmente aqui. Entre lançamentos peso-pesados do Radiohead, Thrice, Coheed and Cambria, e outros, o "Chase This Light" pode ser deixado um pouco de lado, mas com o tempo a energia positiva do álbum vai voar e o Jimmy Eat World pode se ver novamente no topo.

Para fãs de: Blink-182, Yellowcard, New Found Glory